Para sair da reunião com a proposta comercial pronta, você ensina o seu formato pro Claude uma vez, dentro de uma skill. Ela guarda a sua estrutura, o seu jeito de escrever, os seus cases e a sua lógica de preço. Depois é só colar a transcrição da reunião e pedir a proposta.
Eu entro em empresa pra treinar time e entro em empresa pra automatizar processo. São serviços completamente diferentes, com decisores diferentes e ticket diferente. E tem uma frase que aparece nas duas conversas, sempre: "a gente perde negócio porque demora pra mandar a proposta".
Esse guia é o passo a passo do que eu uso pra resolver isso. Leva umas duas horas pra montar na primeira vez, e depois é uma frase.
Por que a proposta trava?
A proposta trava porque ela é um monte de decisão pequena empilhada num arquivo só: qual estrutura usar, quais cases entram, como falar da dor sem ofender o cliente, quanto cobrar, como escrever o investimento. Você já tomou todas essas decisões antes. Só que elas moram na sua cabeça, e você refaz cada uma do zero toda vez.
Aí acontece o de sempre. A reunião foi ótima na terça, você promete a proposta pra quinta, e ela sai na segunda seguinte. O cliente esfriou, falou com o concorrente e já esqueceu metade do que te contou.
A dor não muda de setor. Clínica, indústria, agência, escritório de advocacia. Nas empresas que eu atendo pra treinar time e nas que eu atendo pra automatizar processo, a proposta comercial é o mesmo gargalo. O time vende bem na conversa e emperra na hora de colocar no papel.
O que é uma skill de proposta?
Skill é uma instrução fixa que o Claude passa a seguir toda vez, sem você precisar repetir. Pense nela como um funcionário que aprendeu como a sua empresa faz proposta e nunca mais esquece.
A diferença pra um prompt solto é que o prompt você cola de novo a cada uso, e ele some quando a conversa acaba. A skill fica salva. Você fala "monta a proposta do fulano" e ela entra sozinha.
Passo 1: junte as três propostas que fecharam
Não pegue as suas propostas mais bonitas. Pegue as que o cliente assinou. Elas carregam o que funciona no seu mercado, mesmo que você nunca tenha parado pra nomear o que era.
Abra o Claude, anexe os três arquivos e mande esse pedido:
Anexei três propostas comerciais minhas que fecharam negócio. Leia as três e me devolva uma análise com: 1. A estrutura que se repete (seção por seção, na ordem). 2. O tom de voz: como eu falo do problema do cliente, como eu falo de preço. 3. As provas e cases que eu costumo usar, e em que momento eles entram. 4. A lógica de precificação que dá pra inferir dos valores. 5. O que está inconsistente entre elas e que eu deveria padronizar. Me faça todas as perguntas que precisar para entender o meu negócio, de uma vez só e numeradas, para eu responder tudo na mesma mensagem.
Responda as perguntas dele com sinceridade, inclusive as chatas sobre preço. É essa conversa que vira a skill.
Passo 2: o que precisa estar dentro da skill
Depois da análise, peça pro Claude transformar tudo aquilo numa skill. Cinco coisas não podem faltar:
- A estrutura fixa, na ordem, com o que cada seção precisa conter.
- O seu tom de voz, com exemplo do que escrever e do que nunca escrever.
- Os seus cases reais, com os números verdadeiros, para ele nunca inventar prova social.
- A lógica de preço, que serve para ele te sugerir o valor com o raciocínio, nunca para preencher sozinho.
- As regras de proibição: o que jamais pode aparecer numa proposta sua.
Preço é sagrado. Escreva na skill, com todas as letras, que o Claude nunca preenche valor sozinho. Ele calcula, te mostra a lógica e pergunta. Se você não confirmar, a proposta sai marcada como rascunho. Proposta com preço chutado é o jeito mais rápido de perder dinheiro com IA.
Outra regra que vale ouro: enquadramento de oportunidade. O cliente precisa terminar a leitura sentindo que vai ganhar alguma coisa. Toda vez que o Claude escrever "sua operação sofre com" ou "vocês não têm", a skill manda trocar por "há espaço para" e "o time passa a ter".
Passo 3: grave a reunião e transforme em proposta
Com a skill pronta, o fluxo do dia a dia fica assim:
- Grave a reunião (o próprio Meet ou Zoom já gera transcrição).
- Cole a transcrição no Claude, ou anexe o arquivo.
- Peça a proposta.
Segue a transcrição da reunião com o cliente. Use a minha skill de proposta comercial e monte a proposta desse cliente. Antes de escrever, me devolva em tópicos curtos: - quem é o decisor e como ele fala - as dores que ele citou, com as palavras dele - o escopo que faz sentido propor - a sua sugestão de valor, com a lógica por trás Eu confirmo o valor e aí você escreve a proposta inteira.
Essa pausa antes do valor é o pulo do gato. Você lê o diagnóstico em trinta segundos, corrige o que ele entendeu errado, confirma o preço, e só então ele escreve. A proposta sai certa de primeira em vez de sair rápida e errada.
"Faz uma proposta comercial pra uma clínica de estética." O Claude devolve um texto genérico, com seções que não são as suas, cases inventados e um preço tirado do nada.
"Monta a proposta da Dra. Camila." Sai a sua estrutura, com a dor que ela falou na call, os seus cases de verdade e o investimento em três opções, esperando você confirmar o valor.
Passo 4: revise quatro pontos antes de mandar
Nenhuma proposta sai da sua mão sem passar por esses quatro:
- Nome e personalização. O nome do decisor precisa aparecer no texto, e nenhum parágrafo de contexto pode servir pra outro cliente.
- Preço. Valor exato, forma de pagamento e o que está incluso. Zero "a combinar".
- Datas. Ano correto e validade coerente. O Claude erra ano quando copia de proposta antiga.
- Provas. Todo número citado tem que ser real. Se você não reconhece, corte.
Mande como link em vez de PDF. Peça pro Claude gerar a proposta como página web e suba num link. O cliente abre no celular sem baixar nada, você manda no WhatsApp com a conversa ainda quente, e ainda dá pra atualizar a página se ele pedir um ajuste.
Quanto tempo isso leva pra montar?
A primeira vez leva uma tarde: juntar as propostas, responder as perguntas do Claude e testar a skill com um cliente antigo pra ver se o resultado se parece com o que você faria. Da segunda proposta em diante, é o tempo de ler e confirmar o valor.
O ganho de verdade aparece no relógio do cliente. Você manda enquanto a conversa ainda está fresca na cabeça dele, que é quando a proposta tem mais chance de virar sim.
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