Para criar coisas de verdade com o Claude você para de pedir texto e passa a pedir resultado. Em vez de "escreve um roteiro", você diz o que quer pronto, aponta onde estão os seus arquivos e deixa ele trabalhar. Foi assim que saíram quatro coisas minhas em um mês, e nenhuma delas exigiu código.
Este guia é o passo a passo das quatro. No fim tem o que elas têm em comum, que é a parte que mais importa: como transformar cada uma em um comando só, pra você nunca mais explicar de novo.
1. O computador lotado: de 0,39 GB para 20,4 GB livres
Eu tinha 0,39 GB livres de 457. Não abri uma única pasta. Falei que o computador tinha lotado e mandei ele dar uma olhada.
Ele mediu o disco inteiro, montou um ranking do que ocupava mais espaço, separou lixo técnico (cache, instalador velho, download travado) do que era acervo meu, e devolveu 20,4 GB no mesmo dia. Depois varreu 40.969 arquivos e achou 10.943 cópias idênticas, conferidas uma a uma pelo conteúdo, não pelo nome.
Peça o mapa antes da limpeza. Se você pedir "limpa meu computador" de cara, ele age sem você ver o que vai embora. Pedindo o ranking primeiro, você decide.
2. Onze aulas gravadas viraram 180 pautas de conteúdo
Eu tinha onze aulas gravadas paradas na nuvem. Conteúdo meu, dito com as minhas palavras, morrendo lá.
Juntei as transcrições numa pasta só, apontei a pasta e proibi resumo. Resumo vira relatório, e relatório não vira conteúdo. Voltaram 243 ideias brutas. Ele juntou as repetidas e sobraram 180 pautas, cada uma com a minha fala, a data da aula e o minuto exato pra eu achar no vídeo.
Leia todas as transcrições dessa pasta. Não me dê resumo. Me devolva ganchos de conteúdo usando a MINHA fala real, com a data da reunião e o minuto exato onde eu falei aquilo. Marca o que eu repeti em mais de uma reunião, porque aquilo funciona. Depois separa em três níveis: o que eu gravo essa semana, o que é banco pro mês, e o que só serve como abertura.
A instrução que mudou tudo foi mandar marcar o que se repete. O que você já explicou em quatro reuniões diferentes é o que funciona na sala, e a repetição é a prova.
3. O Reel que eu editava a tarde inteira
Edição de vídeo era o meu gargalo. Corte de silêncio, legenda, título, ênfase: uma tarde por vídeo.
Hoje eu entrego o vídeo cru e ele volta cortado, legendado, com título e zoom nas palavras que eu enfatizo. Um comando. E isso não nasceu de um prompt genial: nasceu de editar quatro vídeos junto com ele, corrigindo no caminho, até o resultado ficar do meu jeito.
As suas correções são o material mais valioso do processo. Elas carregam o seu critério, aquilo que você faz no automático e não sabe explicar. Se você aceitar a primeira versão sem corrigir, o resultado vai ter a cara de qualquer pessoa.
4. A proposta que ficava dois dias parada
Toda reunião terminava do mesmo jeito: o cliente animado e a proposta parada por dois dias na minha lista.
Ensinei o meu formato uma vez (estrutura, tom, cases reais, lógica de preço). Agora eu colo a transcrição da reunião e a proposta sai pronta, com os meus exemplos. Com uma regra inegociável: o valor ele nunca chuta, ele pergunta.
O que as quatro têm em comum
Nenhuma delas eu pedi duas vezes. É esse o pulo do gato.
Toda vez que uma tarefa deu certo, eu mandei ele guardar o processo numa skill: uma habilidade salva, que ele passa a executar sempre do mesmo jeito. Da segunda vez em diante é um comando só, e o seu critério já está lá dentro.
Acabamos de fazer essa tarefa do jeito certo. Salva todo esse processo como uma skill: o passo a passo que a gente seguiu, as regras que eu te corrigi no caminho, o formato do resultado final e o que você NUNCA deve fazer nessa tarefa. Me diz também o que você deve me perguntar antes de começar, em vez de chutar.
Repare na ordem. A skill é a última coisa, não a primeira. Quem tenta descrever o processo antes de executar acaba descrevendo como acha que trabalha, não como trabalha de verdade.
A minha ferramenta de edição de Reel nasceu exatamente assim: quatro vídeos editados junto com ele, cada correção minha virando regra. Nenhuma linha de código escrita por mim.
Por onde começar hoje
- → Escolha a tarefa que você mais adia, não a mais difícil. Adiar é sinal de atrito, e atrito é onde ele ajuda mais.
- → Faça essa tarefa junto com ele uma vez, corrigindo em voz alta o que sair errado.
- → Quando o resultado ficar do seu jeito, mande guardar numa skill.
- → Na próxima vez, chame a skill pelo nome e confira o resultado.
Quatro tarefas em um mês parece muito. Foi uma por semana, cada uma feita uma vez com calma, e depois nunca mais.
Continue aprendendo
- A faxina de disco completa, com os números e os scripts (o passo 1 deste guia em detalhe)
- Os 3 jeitos de criar uma skill no Claude (por que só um deles carrega o seu critério)
- Os 4 sistemas de IA que trabalham por você (onde essas quatro coisas se encaixam num sistema maior)
- O Guia do Claude do zero ao avançado e a Biblioteca completa
O Guia Completo do Claude em PDF
Meu guia do Claude do zero ao avançado, em PDF pra você salvar e consultar quando quiser. Deixa seu email que eu libero na hora, e você ainda entra na Biblioteca.
Zero spam. Só o que vale a pena sobre IA na prática.